O River Plate é o campeão da primeira fase do Campeonato Sergipano. E com méritos, vale ressaltar. Afinal, foi a equipe que mais venceu (10 dos 18 jogos disputados), que teve melhor defesa (15 gols recebidos) e que hoje tem o melhor toque de bola entre as dez participantes.
Mesmo nunca tendo participado da primeira divisão, a equipe de Carmópolis não demonstrou em nenhum momento que seu objetivo este ano era apenas se manter na elite. Pelo contrário. Formou ainda na Série A-2 uma comissão técnica e um elenco com cara de primeira divisão, manteve o grupo desde então e, agora, colhe os frutos de um trabalho planejado, com salários pagos em dia e condições de treinamento iguais ou até superiores às oferecidas pelas equipes mais tradicionais, como Confiança, Itabaiana e Sergipe.
Tudo bem, tudo maravilhoso, mas ao analisar este ótimo momento vivido pela equipe da terra do petróleo, este blogueiro não teve como não lembrar de uma outra equipe que, tal como o Carmópolis, apareceu como um cometa, deixou suas marcas e desapareceu na mesma velocidade com que apareceu: o Olímpico Pirambu Futebol Clube. Lembra dele?
Pois é... a equipe tricolor do litoral surgiu em 2005. E, logo no primeiro ano, o primeiro título: o da segunda divisão estadual. Em 2006, surpresa ainda maior: aquele time sem tradição fez o improvável: venceu a primeira divisão logo na primeira disputa.
O Pirambu, claro, virou logo sinônimo de modelo de gestão para boa parte da imprensa. Com dois títulos estaduais em um ano de criação, o clube sacudiu a arcaica estrutura do futebol sergipano e suscitou debates calorosos sobre a profissionalização. Parecia um novo tempo. Mas somente parecia.
Em 2007, o tão exemplar Pirambu atingiu seu ápice. Na Copa do Brasil, enfrentou o Corinthians duas vezes e, claro, ganhou projeção nacional. A imprensa de todo o país, curiosa em conhecer aquela equipe tão vitoriosa no cenário local, fez dezenas de matérias com o clube. Era o começo... do fim.
A eliminação na Copa do Brasil na primeira fase, de tão prevista, não chegou a abalar o clube. Mas, aos poucos, outros motivos do sucesso precoce do Pirambu vieram à tona. E descobriu-se que a relação do clube com a prefeitura da cidade era mais do que entre patrocinado e patrocinador. Era uma relação de total dependência e subserviência, que se mostrou frágil à medida que denúncias pipocaram contra seu patrono, o deputado estadual André Moura, principal responsável pela eleição, em 2004, de Juarez Batista, então prefeito de Pirambu.
Coincidência ou não, após as denúncias, a fonte secou. Os salários do time que se orgulhava de pagar em dia, começaram a atrasar. As boas condições de trabalho desapareceram da noite para o dia. A crise se instalou. E, claro, os reflexos foram sentidos em campo. O time acabou rebaixado e... sumiu.
Não, este blogueiro não está afirmando que, com a equipe de Carmópolis, a história vai se repetir. Até porque, diferentemente do Pirambu na época, todos ligados ao River Plate tem velhas ligações com o futebol, a exemplo do presidente Ernando Rodrigues e do diretor Fernando França, que durante anos estiveram à frente do Confiança.
Mas o sinal amarelo está aceso. Até porque, todos sabem que o Carmópolis é mantido quase em sua totalidade com recursos da prefeitura local. O próprio Fernando França, que é marido da prefeita Esmeralda Mara Silva Cruz, já admitiu isso publicamente. E você, leitor e eleitor, sabe que equipes mantidas por prefeituras tem período de validade: quatro anos.

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